Dalva Agne Lynch (Sarah)

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Portuguese translation after the English original 

 
 
Thinking of you, on Iom HaShoah (Holocaust Day)
 
(Published in "Jewish News", Sydney, Australia, April 13, 1996 and in "Semana Judaica, São Paulo, Brazil, june of1998)
 
 
To my beautiful sons David, Joseph and Samuel
 
  

“A cry is heard in Ramah
wailing, bitter weeping
- Rachel, weeping for her children.
She refuses to be comforted
for her children, who are no more.”
        Nevi’im, Jeremiah 31:15
 
 
 
Can you hear Rachel, my love? She’s crying for the children.
 
I also cry with Rachel, my love. I cry for a whole generation of children gone up the chimneys of the Holocaust -  but I also cry for this generation.
 
My love, I cry for you.
 
We don't need an enemy in black boots to snuffle out our Shabbat candles - they were never kindled. The children no longer grow up gazing at their mother’s face shining over the flame, eyes shut in prayer for the blessed Hashem.
 
No one needs to silence the voice of z’mirot as father gently sways at the dinner table, teaching the children ancient nigunim - because my generation forgot their forefathers’ tunes and sits cross-legged on the floor, humming old songs of the “Rolling Stones”.
 
No, we don't need another Holocaust to send you, our children, up in smoke. We’re sending you up ourselves.
 
Forgive us, my love. My generation is confused, bitter, rebellious. Because we can’t understand the reason for our parents’ suffering, we shut our eyes to the One we think allowed it. We forget G-d judges the nations by how they treat His Chosen. So, then you think, so much for being chosen, nu?
 
Think again, my love. How many times the holy vessels were taken away from the Temple, brought to foreign lands and smashed to bits to be made into idol’s offerings? Count them. It’s in the Book.
 
How many times then we, the Eternal’s holy vessels, will be taken away to foreign lands  and be smashed to bits to be made into idol’s offerings? So we refuse to be holy vessels in the hand of the All-Mighty for fear of being smashed. We just lay down and become idol’s offerings ourselves, to save the trouble.
 
Is it fear my love, or is it shame? I can still remember asking,
 
“Mother, are we Jewish?”
 
“Shh, be quiet, girl! We don’t say this kind of thing!”
 
I found an old discarded book once, in a hallway closet. It  had a grey cloth cover, with strange signs I couldn't read.
 
“What kind of book is this, mother? Why do you read it backwards?”
 
“Put this away right now where you found it!”
 
I didn’t. The ink stained my fingers, as I gazed at the drawings depicting Jacob’s Ladder (the angels were going up and down the clouds) and the princess picking up Baby Moses from a basket.
 
“What book is this, mother?”
 
Are we doing the same thing to you, my love? Hiding the Book. Snuffling the candles. Silencing the z’mirot and the nigunim.
 
Forgive us, my love. May the Lord Himself teach you. May He guide your hand to kindle the flame.
 
May you have the courage to stand tall and straight, shrouded in white and blue - even if it hurts. Even if  you have to do it alone.
 
But you will not be alone, my love. If you keep very still and listen to the voice of your heart, you will be able to hear the quiet sound of Rachel’s weeping. And very faint on the background, you will perceive the swish of angel’s wings.
 
No, my love. You will never be alone.
 

Portuguese Version

Pensando em você no Iom HaShoah (Dia do Holocausto) 


(Texto publicado no jornal Jewish News de Sydney, Australia, em Abril 13, 1996 e em São Paulo, no jornal Semana Judaica, em junho de 1998)


Para meus filhos David, Joseph e Samuel


"Um clamor ouviu-se em Ramah
lamento, amargo pranto,
- Raquel, chorando por seus filhos.
Ela se recusa a ser consolada
por causa de seus filhos,
que não mais existem." 

        Nevi'im, Jeremiah 31:15 


Ouves a voz de Raquel, meu amor? Ela está chorando pelas crianças.

Também eu choro com Raquel, meu amor. Choro por toda uma geração de crianças que subiram, como fumaça, pelas chaminés do Holocauso. Mas também choro por esta geração.

Meu amor, eu choro por ti.

Não precisamos que um inimigo em botas pretas apague nossas velas de Shabbat - elas nunca são acesas. As crianças não mais crescem fitando o rosto de sua mamãe, brilhando sobre as chamas, olhos fechados em oração ao Abençoado Hashem.

Ninguém precisa silenciar a voz dos z'mirot, enquanto papai gentilmente se move para frente e para trás à mesa de jantar, ensinando aos filhos antigas nigunim - porque minha geração esqueceu as músicas de seus antepassados, e senta-se em posição de lótus, murmurando canções dos Rolling Stones.

Não, não precisamos de outro Holocauso para enviar a vocês, crianças, subindo em fumaça. Nós mesmos o fazemos.

Perdoa-nos, meu amor. Minha geração está confusa, amarga, rebelde. Porque não entende a razão do sofrimento de nossos pais, fechamos os olhos Àquele que, pensamos nós, permitiu tudo. Esquecemos que D'us julga as nações pela maneira como tratam Seus Escolhidos. Então tu perguntas, ser escolhido para que, nu? 

Pensa outra vez, meu amor. Quantas vezes os vasos santos foram levados do Templo, levados a terras estranhas, e esmagados para serem transformados em oferenda a ídolos? Conta-as. Está no Livro.

Quantas vezes, então, os santos vasos do Eterno serão levados para estranhas terras, para serem esmagados e feitos oferenda a ídolos? Então nós nos recusamos a ser santos vasos nas mãos do Todo-Poderoso, por medo de sermos esmagados. Simplesmente nos jogamos ao chão e nos tornamos, nós mesmos, oferenda aos ídolos, para poupar problemas.

É medo, meu amor, ou é vergonha? Ainda me lembro de perguntar:

"Mãe, nós somos judeus?"

"Shh, cala a boca, guria! Não se pergunta esde tipo de coisa!"

Certa vez encontrei um velho livro descartado, em uma prateleira do corredor. Tinha uma capa feita de pano cinza, com estranhos símbolos que eu não consegui decifrar.

"Mãe, que livro é este? Por que é lido de trás pra frente?"

"Ponha isso no lugar agora mesmo!"

Não coloquei. A tinta sujou meus dedos, enquanto eu olhava as figuras da Escada de Jacó (os anjos subiam e desciam das nuvens), e a princesa pegando Moisés de um cestinho.

"Que livro é este, Mãe?"

Estamos fazendo o mesmo contigo, meu amor? Escondendo o Livro. Apagando as velas. Silenciando a voz das z'mirot and dos nigunim.

Perdoa-nos, meu amor. Que o Próprio Senhor te ensine. Que Ele guie a tua mão para acender a chama.

Que tenhas a coragem de te levantar, altaneiro e ereto, coberto pela mortalha azul e branca - mesmo se doer. Mesmo que tenhas que te levantar sozinho.

Mas não estarás sozinho, meu amor. Se te mantiveres bem quieto, e escutares à voz de teu coração, poderás ouvir o choro baixinho de Raquel. E, bem ao fundo, perceberás o zunido das asas dos anjos.

Não, meu amor. Jamais estarás sozinho.
 
 
Dalva Agne Lynch
Enviado por Dalva Agne Lynch em 01/05/2008
Alterado em 02/05/2019
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