Dalva Agne Lynch (Sarah)

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SUFISMO


 
Nota 1: Talvez eu lhe ofereça uma visão do Sufismo com a qual você não está acostumado. A razão é que me dedico ao estudo de Religiões e Mitos há 45 anos e, no decurso disso, estudei Magicka em todas as suas formas por dez anos. Entre 1989 e 2001, publiquei inúmeros estudos e monografias a respeito, inclusive administrando palestras e seminários em órgãos governamentais, igrejas, templos e escolas em São Paulo e Rio de Janeiro, principalmente sobre o perigo de Seitas perniciosas.

Nota 2: Leve em consideração que este livro mistura História, Religião e Misticismo com ficção, e também que quem narra a história, consequentemente “escreve” sobre Sufismo, é um garoto de 18 anos que nem terminou o nono grau.

Nota 3: este é o 
capítulo 19 do meu livro  “Gehinnom”, vol 3 da Série O Herói


 
 

Antes de começar, já vou avisando que não vou dar aula de Sufismo. Quer dizer, vou explicar o Sufismo através do que ele não é, e falar sobre sua importância no Islamismo e sua influência no Afeganistão, e só. Já mencionei alguma coisa a respeito, principalmente de sua Arte e literatura. Mas antes de começar, vamos primeiro dar algumas definições fundamentais, para entender do que estamos falando:
 
Há muita diferença entre Religião, Misticismo, Magia e Magicka.
 

Religião é a Cosmologia, Escatologia e Exegese de um determinado povo ou grupo. Agora vamos ver cada um desses, e guarde, porque é importante.
  1. Cosmologia é o conjunto de leis que    regem o Universo, como também os Seres que habitam as diversas regiões (Material, Astral e Espiritual), etc. Cada Religião explica o Universo de uma forma, tem sua própria Cosmologia.

    Escatologia é o estudo do desenvolvimento histórico do Mundo. Mais precisamente, a Escatologia estuda os primórdios para conhecer o fim. A palavra em si vem do Grego e significa justamente “o conhecimento do fim”. No Cristianismo, ela significa as profecias do Fim dos Tempos.

    Exegese é o conjunto das explicações que os estudiosos dão sobre um determinado texto ou passagem religiosa. No Cristianismo, outro nome para isto é Apologética. No Judaísmo, é o Talmude Midrash, Torah oral e os escritos dos Sábios pelos milênios afora.
Misticismo são vivências e também experiências subjetivas dentro de uma determinada Religião. É o inter-relacionamento entre Humanos, Seres Astrais, Seres Espirituais e a Divindade Última, incluindo, portanto, práticas, rituais e rezas para este fim. Veja o item c, e não comece a reclamar até ler tudo.
 
Magia é o conjunto dessas práticas, rituais e rezas. Toda Corrente Mística inclui a Magia, inclusive a Kabbalah.  Seu intuito é manipular a realidade, provocando mudanças que propiciem as intenções do Magista. Ela jamais pode provocar quaisquer danos a pessoas ou à Natureza. Importante: Magia não tem nada a ver com Bruxaria ou Feitiçaria, ainda que a Wicca, as Antigas Religiões da Deusa (erroneamente intituladas ‘Bruxaria Antiga’), a Stregheria, as Correntes Celtas e  Nórdicas, o Xamanismo,  tenham dado aos seus Sacerdotes e Sacerdotisas de hoje o nome de ‘bruxas’ e ‘bruxos’, ‘feiticeiros’ e ‘feiticeiras’. 

 

Magicka, também conhecida como Magia Negra, é a Bruxaria e a Feitiçaria contra a qual a Torá nos adverte. Ela consiste em práticas e rituais que se utilizam de sexo, selos (chamados sigilos), sangue e outros fluídos humanos, com uma ou as duas das seguintes finalidades:
  1. 1. Evocar Seres Astrais, Seres Goéticos (Demônios) e Criaturas das Trevas (Espíritos do Mal) e, em algumas correntes, evocar também os mortos, tudo isto com a intenção de que eles manipulem a realidade, inclusive e principalmente trazer poder, dinheiro, fama ou influência ao Mago. Quase toda a Magicka provoca dano a pessoas ou à Natureza.

    2. Levar o Mago a se conscientizar de sua posição como centro do Universo, na qual ele atinge a categoria de deus.
 Agora, a Kabbalah e o Misticismo Cristão não possuem Magicka, tampouco o Hinduísmo, o Budismo e todas as Correntes Místicas acima citadas: Xamanismo, Stregheria, Wicca e todas as demais Antigas Religiões da Deusa. Há um senão aí, que depois explico.

Contudo, a Santeria, o Vodu, a Quibanda, a Umbanda e diversas Ordens Teutônicas são Correntes Magickas. 

Por favor note que, sobre a utilização de sangue, não estou falando de forma alguma sobre os sacrifícios de animais dos antigos Judeus, ou o sacrifício do deus Cristão Jesus, ou mesmo o sacrifício de animais praticado pelo Xamanismo e a Umbanda. Estou falando sobre a utilização de sangue em rituais e não de sacrifícios.

Sobre a utilização do sexo, não estou falando de forma alguma sobre a canalização do ato sexual praticada por diversas Correntes Místicas, inclusive a Kabbalah, o Hinduísmo, as Antigas Religiões da Deusa, a Stregheria e a Wicca moderna.
 
Como afirmei acima, toda religião tem seu Misticismo, inclusive o Judaísmo com a Kabbalah, ou o Cristianismo com a Ordem dos Templários, a Maçonaria e a Rosacruz, bem como diversas igrejas evangélicas da atualidade, como a Igreja Universal, Renascer e muitas outras.

O Sufismo, contudo, não é o Misticismo muçulmano. Vamos ver isto no decorrer do que vamos falar.

E o Sufismo não é uma Corrente Mística. O Sufismo é uma Corrente Magicka, segundo a qual você não se aproxima da Divindade através de práticas e rituais e rezas como nas demais Religiões e Correntes Místicas, mas sim você se torna a Divindade. Você está acima de toda a Criação. Você é deus.
 
Há muita beleza e singeleza no Xamanismo, Wicca e todas as Antigas Religiões da Deusa. Eles adoram os Seres Astrais e se comunicam com eles através de práticas, rituais e rezas que são, em sua grande maioria, muito belos. Muitas vezes inclusive reconhecem a nós, anjos e Arcanjos, ainda que nos considerem como Seres Astrais.

Seu problema é adorar a Criação ao invés do Criador, o que as transforma em correntes idólatras, e as coloca como práticas proibidas para o Judaísmo e o Cristianismo. Contudo, todas essas Correntes Místicas preservam a Natureza, o corpo humano e os animais, e geralmente seus praticantes são pessoas pacíficas, de bem com a vida e consigo mesmas. Na cadeia da evolução espiritual humana, elas são as que mais se aproximam do que o homem era no seu estado primordial, antes de conhecerem o Mal. Uma nota importante: práticas como o Reiki, a Yoga e outras também se incluem nesta categoria, quer dizer, beneficiam o corpo humano, mas é preciso ter em mente que são correntes e práticas consideradas como idólatras pelo Judaísmo e o Cristianismo, por evocarem Energias outras que não Hashem, o Senhor, ainda que clamem estar fazendo exatamente isto. 
 
Voltando ao assunto, o nosso Misticismo, o Misticismo Judaico, chamado de Kabbalah, é uma continuação direta do estudo do Talmude e da Tanach, e não há Kabbalah sem eles. Também não há Kabbalah sem o alfabeto hebraico e a língua hebraica, e certamente não há Kabbalah que vá contra a Halachah, as 613 Leis que são a espinha dorsal de toda a Religião Judaica.

O Misticismo Cristão, seja da Ordem dos Templários, da Maçonaria ou da Rosacruz, bem como todas as Igrejas Evangélicas atuais, é um seguimento (veja que estou dizendo seguimento, não segmento!) do estudo dos Evangelhos e das diversas Leis Cristãs delineadas por Paulo de Tarso, portanto não há Misticismo Cristão possível sem o Novo Testamento.

O Sufismo, contudo, não se originou no Alcorão. Pelo contrário, o estudo do Sufismo causou com que os líderes religiosos muçulmanos modificassem o Alcorão, com o acréscimo de diversos textos. Além disto, o Sufismo precede o Islamismo em milhares de anos, quer dizer, ele surgiu antes do Islamismo.

Sufismo tampouco é Zoroastrismo, como alegam alguns Historiadores muçulmanos e Ocidentais. O Zoroastrismo criado por Heilel, e que perdura até hoje, não prega que o homem seja deus.
                              
Agora que sabemos o que o Sufismo não é, vamos continuar. Leve em consideração que em momento algum vou me aprofundar no que quer que seja, porque, como já disse, minha Essência não me permite. E lá vamos nós outra vez  sair pela tangente...

E por que minha Essência não me permite? Ela não me permite porque a mais perniciosa de todas as práticas espirituais é a que leva você a se colocar numa posição de todo-poderoso. Isso leva o homem a fazer o que fez Heilel – penetrar pelos Caminhos das Trevas.  Esses Caminhos são habitados por Espíritos que são o oposto de nós, os habitantes dos Céus (lembra que eu disse que todas as coisas criadas têm o seu oposto? Pois é. Luz e Trevas, Bem e Mal).

E quem são esses Espíritos das Trevas? Esses Espíritos das Trevas são o Poder, a Mentira, a Cobiça, a Pedofilia, a Ganância, o Egocentrismo, a Indiferença, a Violência, e todas as demais Criaturas abomináveis e seus servos, que destroem não a Terra física, mas o coração dos homens, e eles, por seu turno, destroem a Terra.

Já sabemos que, até a queda de Heilel, os homens eram como os animais e as plantas – eles eram puros. Não conheciam o Mal. Então, quando Heilel me deixou lá plantado sozinho naquele bosque, ele desceu à Terra e foi então que nós, o Povo dos Ceus, ficamos sabendo que ele entregara o Conhecimento aos homens, e era por isso que as coisas estavam degringolando por lá. 

E como foi que ele entregou esse Conhecimento aos homens? Preste bem atenção, porque vou contar como foi. Você provavelmente já sabe tudo isso, mas vamos lá:
 
Como todos os demais Arcanjos, Heilel e eu descíamos muito à Terra, mesmo quando não estávamos a trabalho. Mas não descíamos para namorar, como os outros faziam. Nós descíamos para ficar observando, bem como as pessoas de hoje assistem TV, ou vão ao cinema e ao teatro. O pessoal da Terra passava por uns maus bocados, porque o clima era inclemente e havia todos aqueles dinossauros e gigantes perigosos, e eles também se metiam em muita confusão entre si, então havia muita coisa interessante para ver, muita tragédia e comédia e romance.

O único lugar onde houve tranquilidade foi bem no início, no Jardim do Éden, lá no Crescente Fértil, onde Hashem havia colocado Adão e Eva. Então Heilel foi até lá para encher o saco dos dois. Note que, no decurso da minha história, não especifico esse fato, quer dizer, que Heilel começou seu programa de destruição quase que imediatamente depois de nossa Criação - isto porque eu não sabia de nada disso. Bom, vamos continuar:

Se você conhece essa história, então sabe que Hashem havia colocado uma árvore no meio do Jardim, às margens de um rio. Aquela era uma árvore mística, a Árvore do Conhecimento. E do outro lado do rio, Ele colocou outra árvore, chamada a Árvore da Vida.

Agora, Adão e Eva podiam comer do fruto da Árvore da Vida o quanto quisessem, e aquilo lhes dava um êxtase tão grande, que os levava até às alturas, até o Reino, e mais alto ainda. Eles podiam chegar a Ein Sof, à Presença Divina. E enquanto comessem daquele fruto, eles seriam eternos.

Contudo, havia uma condição para que eles continuassem a usufruir do fruto daquela Árvore. Essa condição era que eles não comessem da outra Árvore, a Árvore do Conhecimento, porque, no dia em que comessem, eles morreriam. Bom, nós sabemos que eles não morreram, não é mesmo? Eles só foram expulsos do Jardim. Só que não foi bem assim, porque eles perderam o direito ao fruto da Árvore da Vida.

Naquele dia, quando Heilel desceu ao Jardim, ele fez com que um Espírito de Mentira, uma das Criaturas das Trevas, tomasse o corpo de um réptil (era uma serpente, mas já que ela era diferente do que é hoje, vou dizer réptil), e tentasse convencer Adão a comer do fruto da Árvore proibida. Ora, Adão não se deixou enrolar, então o jeito foi convencer Eva. Ele argumentou bastante com ela, dizendo-lhe que não, eles não morreriam se comessem o fruto, e que a razão pela qual Hashem havia proibido era porque, se comessem, eles se tornariam como Ele. Eles seriam deuses.

Eva olhou para aquele fruto tão bonito, que parecia tão gostoso e tão inofensivo, e terminou comendo e dando a Adão, como todos sabem. Heilel ficou com os olhos brilhando de expectativa. Ele só queria ver o que Hashem ia fazer com aquela!

Bom, a primeira coisa que aconteceu foi que Adão e Eva de repente se deram conta de que eram diferentes um do outro, e ficaram com vergonha de estarem despidos. Quer dizer, o primeiro resultado do Conhecimento do Mal foi a conscientização de si mesmos, e isto levou a uma separação entre eles. Os dois então se cobriram com folhas, e se esconderam um do outro. Daí Hashem chamou Adão, e Adão respondeu que se escondera porque estava com medo.

“Você comeu da Árvore que Eu proibi que comesse?”

Adão se defendeu culpando Eva, e culpando até o próprio Hashem.

“Não foi culpa minha! A mulher que me deste como companheira me deu, e eu comi.”

Daí Hashem perguntou a Eva por que ela havia feito aquilo, e ela também arranjou uma desculpa. Ela meteu a culpa no réptil, que a enganara.

Quer dizer, depois da primeira consequência de conhecerem o Mal – a separação entre eles ao se perceberem diferentes um do outro, a segunda foi voltarem-se um contra o outro e contra tudo o mais, para se defenderem a si próprios. O homem acabara de dar o primeiro passo em direção ao egocentrismo e o medo, que causam todas as desgraças no Mundo.
 

Então Hashem se voltou para o réptil e o amaldiçoou, dizendo que ele agora se arrastaria pelo chão, comendo poeira, e seria o pior dentre todos os animais – daí ele perdeu suas pernas e se transformou no que é até hoje: uma serpente. Tem mais, mas depois falamos a respeito.

Quanto à mulher, Ele lhe disse que ela sofreria com as dores do parto, e isso inclui tudo o mais sobre ser mãe, quer dizer, todo o sofrimento vicário que a mãe tem com os filhos. E também que ela ficaria submissa ao homem, quer dizer, dependente dele. Afinal, com filhos pequenos, a mulher precisa de ajuda e proteção – e todos sabem que, na maioria das vezes, os homens não fazem nada disso, e a mulher precisa então não apenas cuidar, sustentar e alimentar a si mesma, mas também os filhos. Quer dizer, um pesado fardo.

Quanto ao homem, por ele ter se deixado influenciar e não ter tido espinha dorsal para defender o que era correto, o próprio solo seria amaldiçoado, e ele precisaria trabalhar por tudo o que fosse comer, vestir e beber. Então Hashem fez roupas de peles de animais para os dois, e os expulsou, e Uriel veio com sua espada flamejante e se colocou às portas do Jardim, para impedi-los de retornar e se aproximar da Árvore da Vida.

Talvez você pense que eles haviam sido até então alguma espécie de seres privilegiados, queridinhos de Hashem – mas não foi bem assim. Veja bem: Hashem sabia de tudo o que ia acontecer, e havia lhes dado, como já expliquei, a função de carregar, pelos milênios afora, o fardo do Verbo Impronunciável. O que você deve entender é que carregar esse fardo inclui caminhar por entre os homens da Terra sem jamais ser um deles, sem jamais verdadeiramente pertencer.

E por que seria isso? Porque, ao amaldiçoar a Serpente, Hashem na verdade estava amaldiçoando o Espírito de Mentira que Heilel colocara nela – e Hashem então, ao amaldiçoar o Espírito, disse-lhe que Adão pisaria para sempre em sua cabeça – na cabeça do Espírito de Mentira – e o Espírito de Mentira para sempre morderia seu calcanhar

Mais tarde, depois do Dilúvio e do desastre da Torre do Vale de Shinear, Hashem precisou escolher um Povo para carregar, pelos milênios afora, esse fardo. Foi quando Ele escolheu Abraão, consequentemente seu neto Jacó, que foi depois chamado... Israel. Para sempre sendo, no meio do resto dos homens, o alvo de calúnias, chacotas, perseguições, desprezo. Inveja, ódio, ciúmes.   Para sempre sofrendo os ataques da Serpente – o Espírito da Mentira – e para sempre pisando em sua cabeça. Pelos milênios afora.
 
Voltando ao que estávamos falando, o maior castigo que Adão e Eva haviam recebido, contudo, foi perder o direito de subir livremente aos Céus através da outra Árvore, a Árvore da Vida, e serem eternos. A partir daquele momento, chegar ao Reino ficou condicionado à capacidade que o homem tinha de absorver o conhecimento de cada um dos atributos Divinos (o Bem), e seus opostos (o Mal). E esses atributos foram, a partir daquele momento, colocados sob a guarda dos Arcanjos, para que homem algum chegasse até o Reino em sua condição mais baixa.

E o pior de tudo é que, antes de adquirir os Atributos Divinos mais elevados – o Entendimento e a Sabedoria – o homem precisaria passar por todo um processo de descer até o centro de si mesmo – e não para encontrar alguma espécie de deus interior, mas sim para encarar o que há de pior dentro de si, e então batalhar consigo mesmo até vencer. Porque o maior Poder de um humano não é ter, como diz o Mundo, ou mesmo ser, como diz o Sufismo e outras Correntes Místicas. É fazer parte da Shekinah.

Claro que há outro Caminho, um que leva direto à Sabedoria, sem passar pelo sofrimento de encarar-se a si mesmo e abrir mão de si mesmo. Contudo, são muito poucos os que podem segui-lo, porque a condição para isto é pureza de coração. Por isso as pessoas que não crescem, e que são chamadas de “excepcionais” pelos que se consideram “normais”, são tão preciosas. Elas são como as flores e as árvores e os animais. Não precisam sofrer para abdicar de seu livre-arbítrio e entregar-se aos Desígnios. Elas são como nós, os Seres Celestiais. E é por isso que assassinar um bebê assim é um crime tão hediondo. É como assassinar um anjo.

Continuando, o Reino, contudo, está acima da Sabedoria. E para entrar por seus Portais o homem precisa... Morrer. Bem como Hashem havia dito, ao expulsar Adão e Eva do Jardim do Éden.

Agora, no momento em que os dois se tornaram como os Desígnios, conhecedores do Bem e do Mal, esse conhecimento foi imediatamente passado para todos os seus descendentes. Pelo tempo em que reunimos nossas Hostes para expulsar Heilel e restringi-lo a Gehinnom, a humanidade inteira já era possuidora do livre arbítrio.
E essa é a história toda.

Agora, como já disse, Hashem sabia que tudo aquilo ia acontecer. Que o casal que ele colocara no Jardim comeria do fruto, e que depois os homens destruiriam o mundo. Quer dizer, quando Ele criou o Princípio, o seu Fim também fora criado.  Mas, como também já disse noutro lugar, antes da criação de todas as coisas, Hashem havia chamado Teshuvah à existência. Essa parte é complicada, então nem vou entrar em detalhes. Simplificando, não importa o que viesse a acontecer com os humanos ou com a Terra, eles sempre teriam a possibilidade de regeneração, por causa da Teshuvah – o arrependimento, o retorno.

Então, para que isso tudo fosse possível, quando Hashem criou os Arcanjos, Ele criou também Seus dois meninos impulsivos: o Arcanjo de Luz, que destruiria a Terra através do Conhecimento do Mal – Da´at shel Ra, e o Arcanjo de Misericórdia, quer dizer eu, que a regeneraria através do Perdão – Selichah. Guarde isso no coração, porque é a resposta para todas as coisas.
 
Voltando ao assunto, e resumindo a coisa toda, o que as Correntes Magickas antigas (como Sufismo, Ordem Teutônica, Santeria, Voodoo, Quibanda, etc.) e as modernas (como Ordem de Thule, Satanismo, Thélema, etc.) oferecem aos seus seguidores não é nada mais nada menos do que aquilo que a Serpente ofereceu a Eva lá no Jardim do Éden, ou seja, a posse do conhecimento do que eles chamam de “Mistérios Divinos”, que, também segundo eles, podem levar você a se tornar deus e controlar seu próprio destino.

E como, segundo essas correntes Magickas, você chega a esse conhecimento que o transformaria em deus? Você chega a esse conhecimento através da prática da indulgência, ou da prática do ascetismo, acrescidas de rituais e rezas. O Sufismo, que é a Corrente Magicka que nos interessa aqui, pratica o ascetismo, com rituais de danças giratórias auto-hipnóticas (Sema) e a repetição de cantos rítmicos (chants), que levam você a uma espécie de transe ou torpor.

  

(Sema, dança auto-hipnótica Sufi, gravura do séc. XIX)


(a mesma dança, 2015)
 
Essas práticas foram projetadas para levar a pessoa por um caminho (ou uma escada) descendente, que a conduz até o mais íntimo do seu próprio ser, até aquele lugar onde você reina supremo. Onde você, segundo eles, é a configuração máxima da Divindade.

Isso é a maior perversão da realidade que poderia existir, porque é exatamente no mais íntimo do seu ser que habita a Luz Divina, Shekinah – mas isto não significa que você é a Shekinah, que você é deus, mas sim que você faz parte do Divino! E você não precisa ficar rezando, jejuando ou sei lá o quê e descer dentro de si mesmo para chegar até a Shekinah. Você só precisa deixa-la fluir para fora de si, em direção ao resto da Criação. Unir-se em amor ao resto do Universo, exatamente como eu tentara explicar a Heilel.

Nisto tudo, devo dizer que o Sufismo não é de maneira alguma a única corrente que ensina essa de descer até o seu eu mais íntimo. Inclusive a Psicanálise possui um ramo de terapia que faz exatamente a mesma coisa. O terapeuta o induz a visualizar um elevador que desce até um quarto ou uma sala, e lá você se encontra consigo mesmo, e daí é encorajado a conversar consigo até encontrar a solução para seus problemas. O princípio é exatamente o mesmo, só que a Psicanálise não alega que você agora é o deus do seu destino. É apenas uma prática terapêutica.

Concluindo, o objetivo último da Magicka Sufi é, então, levar você, através de práticas de ascetismo, visualização e auto-hipnose, até aquele ponto que foi justamente a causa da queda de Heilel: “Eu sou deus!”.

O objetivo último da Magia, ao contrário, é levar você a deixar fluir a Shekinah que está no seu mais íntimo. Você consegue ver a diferença? A Magicka se utiliza de práticas e rituais e rezas para fazer você entrar para dentro de si mesmo e se convencer de que é deus; a Magia se utiliza de práticas, rituais e rezas para fazer você sair de dentro de si mesmo e se tornar um ser humano mais capaz de amar e ajudar seus semelhantes, a Natureza e os animais.
 
Agora vamos voltar à História do Afeganistão, e das origens do Terrorismo:

Já afirmei que o maior erro dos Historiadores foi ignorar o lado místico do Afeganistão, e não estou sozinho nisto. Diversos estudiosos Ocidentais também se assombram com esse fato, mas foram e são totalmente ignorados.

Em 1990, um estudioso chamado Kenneth P. Lizzio foi enviado ao Afeganistão pelo Governo Americano, num projeto cujo fim era eliminar a produção de ópio (depois falamos sobre essa do ópio). Ele ficou indignado com o fato de que os intelectuais americanos totalmente dispensavam o Sufismo em suas pesquisas sobre os fatores econômicos e políticos do país, então resolveu pesquisar por si mesmo. Depois de muita busca, ele terminou por encontrar uma Ordem Sufi em uma das tribos perto do Paquistão, e que existia desde o século XIV, a despeito de todas as ameaças por parte dos fundamentalistas muçulmanos de eliminá-los. Ele escreveu um excelente livro a respeito de sua pesquisa, chamado “Embattled Saints” (Santos Prontos para a Batalha).

 

Segundo ele (e concordo), o Sufismo está intrinsecamente ligado à História do Afeganistão, ao contrário do Fundamentalismo islâmico, que é algo recente, e que talvez tenha se iniciado só um pouco antes de 1980, com o surgimento dos Mujahedin (depois falamos sobre eles), como autodefesa contra a invasão russa. Os Muçulmanos, ao contrário, como já mostramos aqui, estavam no Afeganistão desde os anos 700 EC.

Em seu livro, Lizzo se mostra quase embevecido pelos Sufis, o que é muito comum entre os intelectuais. Ele erra, contudo, ao pensar que o Sufismo se limita a grupos como aquele que encontrou: o Sufismo está infiltrado em toda a Cultura islâmica, e em todos os ensinamentos muçulmanos.

Quer dizer, a partir da chegada dos Sufis entre as tribos, toda a História Antiga do Afeganistão está permeada da sua presença, ainda que a esmagadora maioria dos Historiadores Ocidentais simplesmente ignorem o fato. Os reis de todos os diferentes Domínios, Impérios e Reinos eram sempre coroados por Mestres Sufis, até que, em 1909, um rei chamado Amanullah subiu ao trono e decretou um programa de modernização, a fim de tentar diminuir a influência das tribos, consequentemente do Sufismo. Claro que tanto Muçulmanos quanto Sufis se revoltaram, e o rei foi deposto – e o costume continuou.

O interessante a ser notado, porém, é que o Sufismo afegão nunca foi coisa da elite, mas sim do povo, e o Islamismo da maioria das tribos foi e é até hoje totalmente mesclado com o Sufismo, o que você já deve ter notado. E a partir de agora, vou chamar os homens-fantasmas, os Terroristas afegãos, de Dokis, que é o nome que os Russos lhes deram, ok? Simplifica as coisas, e não faz confusão com o povo das tribos em geral, nem com os Terroristas atuais, que são das mais variadas nacionalidades e divisões do Islamismo.

Então: grande parte dos estupros praticados pelos Dokis e pelos Fundamentalistas muçulmanos de hoje é, e sempre foi, fruto de rituais Magickos, porque o Sufi, bem como os demais seguidores de quaisquer segmentos da Magicka, se recarrega de poder através do sexo, seja o onanismo (masturbação) seja o ato sexual em si com mulheres, com outros homens ou com animais. A grande maioria dos Sufis é pacífica e prefere o onanismo, mas, segundo a perversão dos Dokis e dos Fundamentalistas Muçulmanos atuais, a violência envolvida no estupro lhes aumenta a absorção de poder. Quanto mais violento o sexo, maior é o poder adquirido.

Uma nota importante: os Sufis não são Dokis, não são Fundamentalistas Muçulmanos e não são Terroristas. Quer dizer, eles não são violentos ou sexualmente pervertidos. Contudo, todos os Dokis, todos os Fundamentalistas e todos Terroristas são Sufis. Não são Magos, são seguidores.

A maior desgraça do Terrorismo moderno é que os jovens recebem uma lavagem cerebral Sufi completa, e os Ocidentais descartam totalmente a existência da Magicka e o seu poder de persuasão, e acham que isso é pura besteira, pura superstição ignorante. O mesmo erro da Europa antiga, quando foi assolada pelos Bersekers, os guerreiros Vikings atiçados pela Magicka Teutônica. Ou o erro da Ásia e do Oriente Médio, quando foram assolados pelas hordas de Mongóis, atiçadas também por Magicka. E é claro que nem preciso mencionar os nazistas, atiçados pela oratória de seu líder e seus capangas da SS, todos membros da Ordem de Thule, uma das Correntes Magickas da Religião Teutônica!
           
Voltando à História do Afeganistão, repito o que já cansei de dizer: o Islã foi o único Domínio que conseguiu se estampar no povo afegão. Agora vamos ver como eles conseguiram isso. Como conseguiram transformar um bando de bárbaros sem cultura e quase sem lei, definitivamente sem liderança centralizada, em uma força a ser reconhecida, capaz de derrotar os mais fortes Impérios, e depois os mais bem armados exércitos que surgiriam na face da Terra.

Já sabemos que o Islamismo, como poder político, é um desastre. Eles chegaram no Afeganistão como todos os demais Domínios, ou seja, para tomar a terra, formar um governo, aumentar seus exércitos, e daí permanecer dentro de seus ricos castelos e fortalezas, enquanto se expandiam em direção a terras mais promissoras.

Mas a coisa é que, junto com eles, vieram também os Magos Sufis e seus discípulos, e eram eles quem na verdade governavam, porque eram a força religiosa que mantinha os  Imperadores, Chás e Sultões, fossem eles Safáridas, Samânidas ou Gasnévidas; Timúridas, Safávidas ou Hotakis. Até mesmo os Mongóis se tornaram Muçulmanos, e aceitaram o Sufismo. Quer dizer, os Magos Sufis eram os “gurus” dos governantes afegãos.

E os Sufis, a autoridade religiosa por detrás de todos aqueles governos poderosos e ricos, não viviam nos palácios, nos castelos, nas cidades, nas fortalezas. Eles moravam fora das cidades e fortalezas, em tendas e nas cavernas do Hindu-Kush, bem como o pessoal das tribos. Eles pregavam a pobreza e o ascetismo, e o povo se identificou com eles.

A História não conta como aconteceu tudo isso, e como o povo afegão se converteu em massa ao Islamismo a partir de mais ou menos 900 EC, um pouco depois que os Safáridas subiram ao poder.  Eles apenas registram o fato. Mas eu fui lá para ver.

Primeiro foram as crianças que se aproximaram, curiosas. Depois vieram os adolescentes, atraídos pela música e pela dança, e depois chegaram os mais adultos. Os discípulos então faziam com que eles se sentassem em círculos para ouvir a pregação dos Magos, que recitavam poesias e entoavam cantigas sobre um deus único que vivia dentro de cada um e podia lhes dar poder e paz interior. Eles diziam que toda aquela riqueza dos poderosos era na verdade a sua fraqueza. Que o verdadeiro poder era o ascetismo e o conquistar-se a si mesmo.

Então foi a vez dos Dokis saírem de seus buracos, para ver quem eram aqueles pobretões que estava ameaçando seu território, ganhando as graças das tribos e revolucionando todo o status quo. Eles chegaram com atitudes belicosas, com suas cimitarras e suas facas, e foram recebidos com tigelas de água fresca e chá, narguilés de ópio e palavras mansas e humildes. Ainda truculentos, sentaram-se para observar as danças, os cantos, as recitações de poesia. E enquanto estavam assim molificados e hipnotizados pelo ópio, a música e o canto repetitivo, os Sufis lhes falaram sobre a beleza de ter-se um relacionamento com o verdadeiro criador, o verdadeiro deus – o deus que habitava dentro deles, e o único que poderia lhes conceder um verdadeiro poder.

O mais importante, porém, foi que os Sufis ensinaram aos Dokis o verdadeiro conceito de guerra. Não a guerra dos poderosos lá dentro de seus palácios, dentro de suas fortalezas, que conquistavam facilmente terras e riquezas, e as perdiam com a mesma facilidade. Não a guerrilha a que eles, Dokis, se entregavam para enxotar os ricos dominadores do território que eles consideravam como sendo seu. Não – a Guerra dos Sufis não tinha nada a ver com a guerra que eles conheciam.

A guerra dos Sufis era Jihad – a Guerra Santa.

Jihad era a guerra da pessoa contra tudo o que fosse impuro, tudo o que fosse contrário ao seu deus interior Allah, e que fosse contra o grande Profeta Mohammed. Sim, aquela era a verdadeira guerra, pela qual todo devoto deveria estar disposto a viver e a morrer, a matar e a destruir, sem pensar em si mesmo. E a recompensa do guerreiro fiel seria eterna felicidade, prazer e plenitude. Muito depois, esse conceito Sufi foi incorporado ao Alcorão, e tornou-se dogma.

Com os Dokis, os ensinamentos Sufis cruzaram a cadeia de montanhas de Hindu-Kush e chegaram ao território vizinho, Khorasan, e não foram os Muçulmanos Gasnévidas que uniram os dois territórios (Khorasan e Afeganistão), como dizem os Historiadores, mas sim o Sufismo. Por sinal, foi a partir de então que o Sufismo passou a ser conhecido como o Misticismo Islâmico.

E foi assim que Gehinnom se unificou sob a bandeira do Islã, e Heilel entregou seu trabalho nas mãos do Espírito chamado Allah. Seus Dokis se transformaram nos primórdios de todos os Terroristas, e se espalharam por todo o mundo então conhecido, causando dissenção onde quer que fossem, misturando-se aos exércitos Islâmicos como bandos aparentemente desordenados de assassinos, cabeças envolvidas em longos xales de lã, rostos cobertos, ajudando os Muçulmanos a conquistar território após território.
 
Por agora eu já chegara aos séculos XVIII e XIX, mas preciso fazer mais uma digressão, para mencionar algo muito importante, que influenciaria o mundo inteiro: a Arte Muçulmana, ou, mais precisamente, a Arte Sufi. Já falei bastante coisa sobre isso, mas vamos lá.

Os Sufis engrandeciam toda espécie de beleza, e a manifestação máxima da beleza física era, para eles, o Ghulam – o adolescente imberbe dos Safáridas, dos Gasnévidas e dos Safávidas. Grande parte da poesia Sufi daquela época se inspirou naqueles meninos. Não preciso dizer que a pederastia sempre correu solta entre eles, desde os primórdios, porque já falamos sobre isso.

Todo o pensamento e a Magicka Sufis estão condensados em sua poesia e sua dança, mas não vou entrar nisso nem que a vaca tussa. Você pode pesquisar na Internet, se quiser. Basta dizer que sua máxima, surgida lá por 850 EC, afirma: “Eu sou a Verdade Criadora”, ou, como foi simplificada mais tarde, “Eu sou deus”. Então tá.

E por que não vou falar sobre tudo isso? Não vou falar porque não posso enunciar o que leva uma pessoa a se considerar deus, e exigir que todos abracem suas crenças. Que consideram como não-humanos, mais baixos que os camelos e os cães e as mulheres (nessa ordem, por sinal), todos os que se recusam a segui-los, e os consideram como ‘infiéis’, merecedores da morte.

Não há nada mais destrutivo do que um ser que se coloca acima de toda a Criação, igualando-se a Hashem na Sua capacidade de escolher os Desígnios de cada um.

E o pior de tudo é que há uma incrível beleza na Arte Sufi, especialmente na poesia. Contudo, um escritor cristão disse algo que resume o que significa essa beleza:

Ele muitas vezes notara como o mais horroroso e escuro Mal frequentemente escolhia os lugares mais belos nos quais construir seu ninho.” (Peretti, Frank – “Este Mundo Tenebroso II”, cap. 4 – Editora Vida.)

A poesia Sufi atravessou os séculos e milênios, conquistando Orientais e Ocidentais, principalmente na obra do poeta e pensador Rumi, cuja famosa obra foi cuidadosamente traduzida, a fim de que pareça ter sido escrita para mulheres. A verdade é que foi escrita para meninos de nove a doze anos – as mulheres eram consideradas mais baixas que os camelos e os cães, e sexo com elas era apenas para procriação. Amor e sensualidade só eram belos, para Rumi e os demais escritores e artistas Sufis – tanto do passado quanto de agora – se praticados com meninos. E isto, é claro, é coisa que você não encontra em um só livro de Literatura Ocidental, em um único texto de História escrito por Ocidentais. (
Nota: Além de meus próprios estudos e experiências com as correntes de Magicka através dos anos, minhas fontes mais recentes sobre este assunto, e que são absolutamente confiáveis, não podem ser mencionadas por motivos de segurança.)

E se você acha que realmente há um deus dentro de você que tem todas as respostas, então você não precisa de absolutamente nada nem ninguém. Você se basta a si mesmo.

E esta é a maior prova de que nenhum ser criado é o Criador. Nós não nos bastamos. 
 


  
 
Dalva Agne Lynch
Enviado por Dalva Agne Lynch em 03/11/2016
Alterado em 24/10/2018
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