Dalva Agne Lynch (Sarah)

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Amor via Internet

₢Sarah D.A.Lynch



Estou sempre recebendo confidências, tanto de homens quanto de mulheres,
sobre seus relacionamentos virtuais. Já que quase passei por algo assim recentemente, comecei a pensar no assunto.

Uma coisa que me interessou foi a quantidade de pessoas que se apaixonou através da Internet, e depois ficou sofrendo intermináveis penas devido à distância que separava os dois.  Geralmente os casos terminam em nada, com ambos mantendo relacionamentos meio vazios com pessoas próximas, e rompendo com o companheiro distante.

Contudo, há também os corajosos, que viajam quilômetros apenas para marcar um encontro - e tudo também geralmente termina em nada, ou porque as fotos trocadas eram todas photoshop, ou porque a pessoa em carne e osso não chegava nem aos pés do ideal romântico, gentil e educado visto e ouvido através da telinha do celular.

 
Minha filha mais nova se casou com alguém que conheceu via Facebook. Ele morava em Londres, ela morava em São Paulo. Depois do maravilhoso e romântico primeiro encontro, no Ano Novo de 2012, eles se revezaram todos os meses, cruzando o Atlântico para ficarem juntos por uns miseráveis dois dias. Até que, depois de seis meses, resolveram acabar com os gastos e o sofrimento, e se casaram. Estão juntos até hoje, têm dois maravilhosos filhos, e são a prova de que amor à distância pode funcionar.

Então, se é possível, por que estou falando sobre tudo isso? Qual serial a diferença entre minha filha e seu esposo, e o caso de tantos outros?

A diferença vem a ser uma só, acredite ou não: o fator econômico. É, sim, econômico. Veja bem: minha filha e seu amado podiam pagar pelas viagens. Em um mês ele pagava as próprias despesas, no próximo mês ajudava meu ex a pagar a metade das dela.

 
Viram a diferença? É, isso mesmo. Se você não tem condições financeiras de pegar um avião a fim de ficar junto com sua amada, esqueça. E fazer uma mulher pagar para ir até você é uma vergonha, vamos e venhamos.
 
Fiquei chocada ao saber recentemente sobre uma mulher, uma profissional competente, madura, que está pegando um avião para cruzar o Brasil a fim de se encontrar com o suposto amado, que não tem onde cair morto.

Posso ser o cúmulo da antiquada, mas se um homem precisa que eu gaste uma fortuna para me encontrar com ele, bom, algo está profundamente errado com o conceito que ele tem de relacionamento. O conto de pobre coitado injustiçado pela vida, e que precisa de uma mulher para se reerguer, é tão velho quanto o mundo. Espero que essa mulher desperte a tempo, antes que gaste o que pode e o que não pode, sem receber nada em troca - possivelmente nem fidelidade.

 
Como disse em um comentário a uma amiga a respeito do assunto, prefiro chorar por um pouco num voo à Europa, para passear e me divertir, do que rir por um pouco num voo nacional, gastando o que quer que seja só para me arriscar a encontrar lágrimas e desilusão do outro lado. Seja como for, sustentar homem nunca foi meu ideal de relacionamento.
 
Conclusão: Se você precisa pagar para pegar um homem, algo não está muito kosher aí. Amiga, se você não consegue ser sábia com seu coração, seja sábia com seu dinheiro.
 
E se você for homem, tenha um pouco de vergonha e pague pelo encontro, ou espere - fielmente - até conseguir pegar um avião e ir até sua suposta amada. Funcionou para meu genro - pode funcionar para você.
 
Boa sorte!
 
 
Dalva Agne Lynch
Enviado por Dalva Agne Lynch em 22/08/2016
Alterado em 24/08/2016
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