Dalva Agne Lynch (Sarah)

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NOTAS:

1. Minha intenção, ao escrever meu livro “Gehinnom”, foi mostrar as causas da Islamização do mundo, seu processo e como combatê-la. Porém, como o livro anterior da série, “A Batalha pelas Florestas”, que aponta as causas do desflorestamento da Amazônia, seu processo e como combatê-la, foi totalmente ignorado no Brasil, decidi colocar “Gehinnom” apenas em inglês. Talvez isto mude, talvez não
.

2. O processo de Islamização do Brasil está sendo idêntico ao processo de Islamização do Afeganistão: ele começa com as populações mais incultas e necessitadas, identificando-se com elas e mostrando que ser pobre e necessitado não é um mal, mas sim um caminho. E é por isto, e apenas por isto, que o PT e demais grupos políticos da mesma lábia estão se unindo em massa ao Islamismo, e porque quaisquer outros movimentos ou grupos não conseguem o mesmo efeito, façam o que fizerem.

2. Quanto ao estilo e linguajar, leve em conta que quem escreve é meu personagem, um menino de 18 anos que não terminou o nono grau.

4. "Homens-fantasmas", dokis,  foi como os russos chamaram os homens das tribos afegãs, nos dez anos de seu fracassado domínio.


 
INVASÃO ISLÂMICA
(Trechos do livro Gehinnom, Parte II ("O Cemitério de Impérios")




Por agora sua cabeça deve estar rodando, e você começou a não entender mais nada. Pois é assim mesmo. O problema é que o Afeganistão carregava, desde a morte de Alexandre, o estigma que o acompanharia até os dias de hoje, ou seja, a maldição de Heilel: império algum, domínio algum, conseguiria lançar raízes em Gehinnom. Nunca haveria paz. Ninguém conseguiria jamais dobrar o espírito das tribos nômades, quer dizer, jamais cultura alguma se estamparia no povo afegão, nos Dokis, os homens-fantasmas –  exceto uma, e assim mesmo sem paz alguma.  O Afeganistão era o Cemitério de Impérios.

E enquanto rei após rei batalhava inutilmente pela supremacia e para se manter no poder, os habitantes daquela terra continuavam a não se submeter a nenhum deles, e a atacar quem os queria dominar da melhor maneira que conseguiam, e o solo continuava a não produzir nada que prestasse além de umas poucas pedras preciosas, como lápis lázuli, rubis, esmeraldas e turmalinas, o que de modo algum compensava os invasores por todas as guerras e todas as mortes que sofriam.

Ao mesmo tempo, se você acha que seus governantes atuais não fazem nada pelo povo, deveria dar um passeio pelo Afeganistão daqueles tempos, como eu fiz. Você voltaria achando que mora no paraíso. Aqueles reis viviam no luxo, e o povo era totalmente ignorado. A água era escassa, a agricultura não dava nem pro gasto, e o clima era um desastre, com verões escaldantes e invernos congelantes. E daí, quando o povo se revoltava e algum homem-fantasma assassinava algum figurão, o resto da classe dominante ficava se perguntando por quê.

E então chegou o Islã.

Veja bem: durante milhares de anos, o Afeganistão foi cruzado por invasores, assaltantes, missionários das mais diversas religiões, e comerciantes de toda espécie de coisas. Ele se situa entre civilizações completamente diferentes, e crenças e costumes se misturaram ou se chocaram dentro de seus limites, sem jamais afetar as tribos. Ao redor dele temos o Paquistão, a Índia, a China, a Rússia, a Turquia, o Irã, a Arábia Saudita, o Iraque, e toda uma enorme quantidade de países relativamente novos, que apareceram depois do desmembramento da União Soviética, como o Uzbequistão, Turquemenistão, Tajiquistão, Lizbequistão, e por aí vai.

A maioria desses países, desde tempos remotos, nunca teve interesse algum naquela região, pelo simples motivo de que ela não tinha e não tem quase nada a oferecer. Contudo, todos ao seu redor estavam, e estão até hoje, de olho nas suas fronteiras, de olho na possibilidade de haver petróleo no seu chão, de olho nos seus homens-fantasmas.

E como foi que o Islã conseguiu o que até aquele momento domínio algum conseguira – estampar-se no povo do Afeganistão, tornar-se um com ele?

Ora, o Islã foi diferente desde o início, ou seja, desde que apareceu por lá, mais ou menos em 600 EC (Era Comum). E eles foram diferentes porque os muçulmanos estavam mais interessados no povo do que na terra. Para eles, conquistar era converter, o que continua até hoje.

Veja bem: você pode tentar se impor em uma comunidade, ou ganhar seus favores com presentes e amenidades – e falhar miseravelmente em ambos. Mas se você lhes oferece uma causa em torno da qual se unir, se você lhes oferece algo no qual possam se agarrar, e assim tirar seus pensamentos das dores do dia-a-dia, eles o seguirão. E se você lhes oferece regalias e prêmios numa vida após a morte, então você conseguiu o que antes parecia impossível: você os conquistou.

De todos os impérios e domínios que passaram pelo Afeganistão, os muçulmanos foram os únicos que conquistaram não a terra do Afeganistão, mas seu povo, porque eles lhe ofereceram uma esperança, ainda que fosse ilusória. Eles lhe deram deu algo a que se apegar, e a sensação de serem importantes, únicos. Quer dizer, sim, eles estavam interessados em aumentar suas fronteiras, e o Afeganistão era uma ponte para outros países nos quais eles estavam de olho, mas estavam ainda mais interessados em aumentar a quantidade de convertidos, ou seja, de soldados para sua causa. E os homens-fantasmas aderiram em massa ao Islamismo, acrescentando o fanatismo religioso às suas outras características bélicas.

Na verdade, eles foram uma peça-chave em todas as conquistas islâmicas que se seguiram, quando os muçulmanos tomaram quase todo o mundo conhecido, fundando o Império Otomano. Heilel entrou em simbiose com o Espírito conhecido como Allah, o deus muçulmano, e, com o passar do tempo, toda a cultura e a riqueza de todas as cidades construídas por todos aqueles grandes Domínios foram sendo destruídas, a exemplo do que ocorreu com a Biblioteca de Alexandria, em 642 EC.

Quer dizer, eles foram como um tsunami, destruindo todas as cidades e todas as fortificações de cada Domínio e cada Império em seu trajeto, deitando por terra estátuas de deuses, queimando pergaminhos e simplesmente nivelando tudo. Não é pra menos que o povo, quer dizer, os pobres, não se rebelaram contra eles, mas uniram-se a eles.

A partir daí, o Afeganistão inteiro se tornou muçulmano, e vamos examinar isto cuidadosamente, porque é aqui que religião e História se misturam e se tornam uma só, coisa que os homens modernos nunca conseguiram entender, e por isso falharam e continuam a falhar em entender onde meteram os pés pelas mãos em todas as guerras que se sucederam, e que se sucederiam no futuro, a partir de 2001.

Em outras palavras, foi a incapacidade de entender o lado místico e espiritual do Afeganistão que levou todos os Domínios, Impérios e Governos a serem derrotados através dos milênios, e até nossos dias.

O Islã, por sua vez, não cometeu o mesmo erro. Isto porque o Islã não é, nunca foi e nunca será um Governo, um Domínio ou um Império. Como tal, quer dizer, como poder político, os muçulmanos brigaram e brigam entre si até mais do que contra os não-muçulmanos.

Porque o Islã não é um poder político. O Islã é um poder místico.

Um povo de fantasmas.
 
Dalva Agne Lynch
Enviado por Dalva Agne Lynch em 09/12/2015
Alterado em 01/12/2016
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