Dalva Agne Lynch (Sarah)

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EVOLUÇÃO E PROGRESSO
 
₢ Dalva Agne Lynch
 
 
 
Desde que o mundo é mundo, sempre houve guerras e batalhas por ganância.
 
Mas o que vem a ser ganância? Afinal, querer o que é melhor, almejar mudança, progresso, faz parte do crescimento humano. Contudo, quando o querer significa tirar de alguém mais para que você tenha o que quer, quando o mudar significa destruir algo belo e bom para construir algo que você deseja, quando progresso significa destruir a cultura para se construir conforto, então o querer e o mudar e o progresso deixam de ser crescimento, e passam a ser pura e simples ganância.
 
O filme Avatar exemplifica isto muito bem - a destruição de uma civilização espiritualmente superior, em nome da tecnologia e do progresso. Em nome da ganância. Assistimos e pensamos, "ah, que horror!" - e ficamos felizes quando, no final, Pandora vence e é salva.
 
Pena que seja apenas um filme. A realidade é bem diferente. A realidade são todos os capítulos de conquistas e progresso da nossa História: a conquista do Tibet, da China, e, mais perto de nós, a conquista das Américas.
 
Por mais que pense, não encontro nenhuma justificativa plausível para a destruição das civilizações indígenas, tanto na América do Norte, onde o genocídio e roubo de terras foram feitos em nome do fanatismo religioso, quanto na América do Sul, onde foram feitos por pura ganância, sem nem mesmo a falsa máscara da fé.
 
O mais trágico, porém, é o fato de que a herança espiritual dos povos destruídos é, e permanecerá sendo através dos milênios, superior a qualquer coisa que os conquistadores tenham construído.
 
Sim, temos mais conforto - mas enquanto que o índice de crimes e suicídios, entre as civilizações destruídas, era mínimo, na nossa civilização de conforto temos todo o desespero existencial de vidas vazias. E por quê? Porque o progresso foi material apenas, e o espírito humano foi relegado a segundo plano.
 
A Lei da Natureza é a lei do mais forte. Vence e perdura o ser que melhor se adapta, que melhor ataca, que melhor se defende. A coisa é que, por esta Lei, o homem deveria ter sido extinto há milhares de milênios atrás. Pequeno, nu, sem couraça, sem dentes afiados e sem garras, foi o homem, contudo, quem dominou a natureza. E por quê?
 
Porque a vida humana NÃO É a vida natural de todos os demais seres. Nossa realidade está em outro plano, e a evolução humana acontece lá nesse outro plano, e não na vida natural de todas as coisas.
 
O homem não pertence à simplicidade da natureza. As leis naturais governam seu corpo, e são, para ele, um exemplo, uma lição, mas não governam seu espírito. E para que ele aprenda as novas leis, as leis de seu espírito, é preciso que aprenda a caminhar não na vida natural de todas as coisas, onde reina a Lei do mais forte, mas sim na vida supra-real que, muitas vezes, ele toma tantas penas para negar.
 
Sim, assim como é abaixo (no microcosmo da natureza), também é acima (no macrocosmo do espírito). E a batalha humana ainda é, e sempre será, no macrocosmo - no nível do espírito.
 
O homem tenta dominar a natureza, e parcialmente consegue, até ao ponto onde ela se torna uma com o Infinito, e uma com ele próprio. E é por isto, e apenas por isto, que as civilizações antigas estavam, e as nossas de hoje estão, fadadas ao fracasso.
 
O homem perde tempo tentando dominar a natureza e outros povos, esquecendo completamente que sua evolução e progresso estão em DOMINAR A SI MESMO, não à natureza que o cerca. Não a outras pessoas e povos que o cercam. Esse foi o erro dos colonizadores americanos e sul-americanos, e esse erro continua. O homem não aprendeu nada com a História.
 
Sim, homem algum é uma ilha, como disse Hemmingway (sim, Hemmingway e não os Rolling Stones - eles só usaram a frase do escritor!). Contudo, ele estava falando na sociedade humana, e não na evolução do ser. A batalha pela sobrevivência e supremacia do ser humano não está em armas e poderio, em sociedades fortes e vitoriosas. O homem não chegou onde está, por todos esses milhares de milênios, devido às armas e artimanhas que criou, mas sim porque TINHA CAPACIDADE DE CRIÁ-LAS. Foi seu espírito criativo que o manteve vivo a despeito de tudo.
 
Através da História, a sociedade que prevaleceu, que permaneceu, jamais foi a vencedora, mas sim aquela cuja cultura e vida espiritual era mais forte. Exemplo disto é o fato de que os romanos venceram, mas a civilização grega foi a predominante, a que permaneceu e influenciou os conquistadores; o povo judaico foi destruído vez após vez, mas foi o povo que permaneceu, e influenciou todo o mundo conhecido. Onde estão os persas, os romanos, os nazistas?
 
É dentro de cada ser humano que está a verdadeira batalha pela sobrevivência. Outra vez as sábias palavras de Salomão me vêm à mente: há um tempo para criar, e um tempo para destruir; um tempo de guerra, e um tempo de paz. Contudo, em sua evolução, o homem precisa chegar ao ponto em que ele depõe as armas, e atinge a simplicidade da suprema inocência. Não a inocência da ignorância, mas aquela inocência que se conquista apenas quando se perdeu tudo só para não perdê-la: a ausência de culpa.
 
E então, e apenas então, o homem começará a evoluir rumo ao seu inteiro potencial, quando será capaz de recriar a natureza com o simples poder de sua mente. E é bem provável que esta seja sua única salvação, já que, até chegar a esse ponto de seu crescimento, ele terá destruído o mundo como o conhecemos.
 

Site oficial da autora: http://www.dalvalynch.net
 
Dalva Agne Lynch
Enviado por Dalva Agne Lynch em 24/02/2012
Alterado em 09/10/2014
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