Dalva Agne Lynch (Sarah)

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(A música de fundo ´é uma de muitas boas lembranças: durante uma longa viagem em família, todo mundo e um monte de bagagem abarrotando o carro, o único cd que havia para escutar era o de Santana. Foram cinco horas contínuas de Santana...)


CARTA PARA UM PAI ESPECIAL
 
(para Manuel Coto)
 
 
Dalva Agne Lynch
 
 
 
 
 
Nos dias de hoje, o pai que abandona sua jovem esposa e seus filhinhos pequenos tornou-se algo comum e corriqueiro. Contudo, há uns poucos que mantêm sua honra e dignidade, permanecendo ao lado da companheira e cuidando dos pequeninos e das finanças, até que eles possam se levantar sobre os próprios pés.
 
Contudo, há também pais excepcionais, que não apenas permanecem com seus próprios filhos através de todas as tempestades, mas também abraçam, como seus, outras crianças. Esses são raros - homens que não aparecem nas manchetes de jornais, quase nunca andam nos círculos dos famosos, e dificilmente recebem reconhecimento por todo seu trabalho e abnegação.
 
E é por isto, amigo, que estou lhe escrevendo esta carta.
 
Através dos anos, você se manteve fiel no cuidado de seus filhos, mas, muito mais do que isto, você acolheu com a mesma dedicação os meninos que me haviam sido sequestrados por doze anos, quando eles retornaram à casa. Você arcou com todas as responsabilidades de dar sustento e suporte a dois adolescentes rebeldes; você saiu de casa no meio da noite, sem uma palavra de reclamação, para resgatar o mais jovem, quando, descuidado, ele destruira seu carro em um acidente. Você tomou sobre si a responsabilidade, e trouxe-o, são e salvo, para casa. Você esteve com eles até que ambos partiram para seguirem seus próprios rumos, sem jamais exigir o troco.
 
Acredito que o maior fator do sucesso na vida de meus meninos mais velhos foi seu cuidado para com eles - ajudando-os a se ajustarem à sociedade da qual haviam sido tirados, e a perseguirem seus estudos e suas carreiras. Você ativamente participou da reconstrução da vida de ambos, e apresentou-os a seus amigos e colegas como sendo seus próprios filhos. Em momento algum você fez distinção entre "os seus" e "os meus". Nas datas festivas, você escolhia presentes para todos da mesma maneira.
 
E agora, recentemente, quando minha menina também retornou à casa, trazendo seu esposo e seus dois filhinhos, outra vez você se levantou para cumprir seu papel de pai. Você os ajudou a ter uma vida normal, proporcionando-lhes um trabalho digno e um lar onde cuidar dos pequeninos, e, através de nosso filho mais velho, você passou a sustentar nossa família inteira.
 
Contudo, apesar de todo o seu esforço, toda sua dedicação, você não recebeu, até agora, um reconhecimento por nada disto - por todos seus sacrifícios, por toda sua dedicação.
 
Hoje, então, quando celebramos o Dia dos Pais, gostaria que você soubesse que nenhum de nós esqueceu tudo o que fez e continua fazendo por nós. Você tem, no coração de todos, um lugar especial.
 
Acima de tudo, saiba que você tem todo nosso respeito e carinho. E meus votos, no dia de hoje, é que a vida lhe sorria, que você prospere, e que encontre paz na certeza de ter cumprido seu papel como pai e como homem.
 
Com carinho,
 
Dalva Agne Lynch
 

Dalva Agne Lynch
Enviado por Dalva Agne Lynch em 13/08/2011
Alterado em 12/08/2012
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