Dalva Agne Lynch (Sarah)

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NOSSAS GUERRAS DE HOJE
 
₢Dalva Agne Lynch

 
O que vem a ser Guerra?
 
Segundo o Aurélio digital, esta palavra significa não somente o óbvio (conflito armado), mas também luta, combate, oposição, rivalidade.
 
Duas modalidades deste tipo de guerra me chamaram a atenção ao ler os verbetes do Aurélio, devido ao seu alto teor destrutivo, e porque não requerem um território geográfico para que ocorram. Elas se passam dentro de uma pessoa.
 
A primeira dessas duas modalidades é o que o Aurélio chama de Guerra de nervos; a segunda, que muito se assemelha à primeira, recebeu o nome de Guerra psicológica. Guarde isto em mente enquanto continuamos:
 
Amigo ou amiga, talvez você fique feliz de não ter nascido no Oriente Médio, ou outra região de conflito internacional. Talvez você diga: "Que bom que eu vivo em um país onde reina a paz!"
 
Contudo, em nossos dias, tal país não existe mais. Com o advento e evolução da Internet, não importa onde você esteja - a Guerra está aí mesmo, e seus efeitos, ainda que não sejam destruir edifícios e desmembrar corpos, deixam marcas psicológicas irreversíveis em quem se vê nelas envolvidos. Há casos até mesmo de suicídios devido a campanhas difamatórias na net; há destruição de lares e de fortunas.
 
Nesta nova modalidade de Guerra, hackers são os terroristas; feudos por idéias, por posse de textos e ilustrações, são os conflitos territoriais; discussões internas de um grupo - que, muitas vezes, chegam a sérias ofensas e ameaças - são as revoluções, as guerrilhas, os golpes de estado.
 
E assim como se passa em uma Guerra real, as Guerras da Internet, na maioria das vezes, começam como uma causa justa, para depois descambar para o barbarismo. De repente, os envolvidos estão até cansados da luta, mas não conseguem parar. Ou pensam que não podem. E isto porque, a partir de um certo ponto, qualquer Guerra deixa de ser Guerra por algo, guerra por direito, por justiça, para se tornar uma mera defesa de orgulhos, e não interessa mais quem seja ferido no processo.
 
E os mesmos tipos de Homem (assim, com letra maiúscula, porque representa o ser humano e não um sexo) que fazem Guerra no âmbito real, que estão presentes no seio de governos, de famílias, no corpo de igrejas, corporações, clubes, ordens, estão também no âmbito virtual.
 
Onde houver um conglomerado humano, aí estará o Homem de Guerra Tipo A. Pronto para querer ser "O" Homem - o cabeça, o chefe, o manda-chuva. E sempre haverá o Homem de Guerra Tipo B, que não quer ser seguidor, e se recusa a obedecer por obedecer. Ele quer razões lógicas que justifique sua obediência, sua aquiescência, seu voto.
 
E há também o Homem de Guerra Tipo C - aqueles que se opõem pelo simples esporte de se opor, porque é divertido ver os nervos se atiçarem, os ânimos se esquentarem. Estes são os que fomentam as Guerras por detrás dos panos, sem jamais mostrar o rosto. São os que não perdem nada, ganhe quem ganhar. E são os mais perigosos.
 
E como escapar dessas Guerras? Tornando-se um solitário na Net? Um alienado? Um mero observador? O mero observador, se não peca por ação, peca por omissão. Não defender a justiça contra a injustiça é tão errado quanto cometer a injustiça. De onde se conclui, guerrear é um mal necessário. Então, o que fazer?
 
A única resposta que encontrei é a que aprendi a duras penas.
 
Em quaisquer Guerras, sejam elas reais ou virtuais, o importante nunca é COMO começaram, ou QUANDO começaram. Estes são os pontos inevitáveis. O importante é saber QUANDO PARAR DE LUTAR.
 
A hora de deitar as armas é quando a luta deixou de ser por justiça para se transformar em luta por orgulho; quando deixou de ser honra para se tornar desonra. Amigo ou amiga, se você precisa se desonrar para vencer uma Guerra, você já perdeu, mesmo se for coroado(a) por outrem com os louros da vitória.
 
Uma pessoa sem honra, sem dignidade humana, que despiu todos os bons sentimentos para poder vencer, assemelha-se aos monstros da nossa infância. Não digo que se assemelhe aos animais, porque os animais não são assim tão perniciosos. Não há, na natureza, nada tão vil quanto o Homem que abdica de sua humanidade para se assemelhar aos míticos demônios de todas as nossas crenças.
 
Então, amigo ou amiga, guerrear é inevitável - mas deixar que a luta destrua seus nervos e sua mente, e os nervos e a mente de outrem, está nas suas mãos.
 
A escolha é inteiramente sua. Não interessa quais são suas Guerras, quem são seus oponentes - amigo ou amiga, SAIBA QUANDO PARAR.


Site oficial da autora: http://www.dalvalynch.net
Endereço da autora na Rede de Escritoras Brasileiras (REBRA): http://rebra.org/escritora/escritora_ptbr.php?id=1158


fig: DalvaLynch, 2010


 
Dalva Agne Lynch
Enviado por Dalva Agne Lynch em 19/07/2010
Alterado em 01/12/2011
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